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Dorly Neto - My Blog

Pouco humano amor



O único movimento
que me prende ao estado de pleno.
Bum! espanto... tudo começou.
desde antes do início dos tempos;
eram os olhos - não, era o olhar.

A forma direcionada dizia,
e eu me declarava sem palavras.

É preciso um passo de cada vez.
As pernas tropeçam nas palavras
apressadas e inventadas.
É tempo de encantos
e leveza dos sentimentos;
desgarrar-se é preciso.

O tempo não passa
quando se há pelo que viver.

Teimoso,
tentei cruzar a curva do infinito.
e era ser o encanto.
Nunca é sempre; como tudo na vida.
Delícia é o nervosismo,
correr perigo pelo que se luta,
e lutar pelo que se ama.

Suave é o sabor do que não é em vão
Era breve e curto o espaço no tempo,
era sempre e nunca apesar do veneno
nas burguesias da cidade.

É muita sala pra pouco rico.
É muito amor pra pouco humano.



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Leveza da infância



Sigamos leves, 
pois a brisa do encontro 
se encontra aonde a curva 
faz o encanto.

Sigamos breves, 
pois a urgência do mundo 
é saber o sabor da sabedoria
de não ser.

Tudo que é cheio tem o seu limite. 
O vazio é maior e eterno.
Sendo assim,
ser leve é não ser explicação.

Por isso penetre no âmago
e bem fundo
retire a pureza 
retida na infância.

O tom da força é determinado
pela vibração do pleno;
depois da curva, 
todo mar é infinito.



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Espanto de menina



Tudo se resume a uma interrogação.
Aceitar ou não a decisão inóspita
dos significados.

Contornos imprecisos, o avesso do avesso
da fome que alimenta.
Conservo aspas ao redor da minha existência;
o eterno dura em si mesmo.

Cada eterno com sua sua velocidade;
o peso pondera,
levita palavras na garganta.
Lavra o céu da boca de aparições
do infinito.

Adormeço como menina
vejo-me além-mulher.
Trato a fome da vida
como um senso esperado;

aventuras poéticas que nascem
do espanto.





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As motivações políticas por trás da greve dos Bombeiros




Tudo se resume a disputa entre partidos

Lama na imprensa, sangue nas bandeiras
A verdade passa ao largo, como se não existisse
E a gente ali no meio, como se não existisse
Tudo se reduz a uma cruz e uma espada

(Vícios de Linguagem - Engenheiros do Hawaii)

De antemão, é necessário elucidar alguns pontos essenciais. A urgência do momento e novos fatos que surgiram na última semana me fizeram processar esse texto, após algumas semanas de análise do quadro histórico que vivemos. Procurei uma cronologia dos acontecimentos mais relevantes, em forma de vitral, coletando pequenas peças e, assim, formando um quadro geral.

Uma crise militar, envolvendo o Corpo de Bombeiros e a Polícia, juntamente com alguns outros setores organizados como a sociedade civil e os professores do Estado, infla a opinião pública, motivando debates calorosos e ações espontâneas de solidariedade, seja em símbolos nas indumentárias ou em passeatas e apoio de ocupações. O motivo inicial das manifestações, iniciadas há pelo menos 50 dias, é a reivindicação por melhores salários para os Bombeiros do Rio de Janeiro, que hoje recebem a pior remuneração do Brasil.

A greve é constitucional e essencial para a democracia, e ocorre principalmente quando os trabalhadores exigem melhorias nas condições de trabalho e reajuste de salários - sendo essa última com muito mais frequência no país. Mas as manifestações não tiveram um aumento significativo durante abril ou no começo de maio, até que algumas ações políticas de incentivo à mobilização começam a ocorrer no interior de Estado.

Tendo seu epicentro em Campos - reduto político do ex-governador e atual deputado federal Garotinho, o Corpo de Bombeiros se mobilizou em uma greve geral, convocando uma grande ação para o dia 3 de junho, na intenção de tomar o quartel principal dos Bombeiros. A ordem: convocar o máximo de bombeiros em outras cidades do estado, e quem mais que quisesse ou pudesse fazer pressão. Durante esse período, Garotinho andou pela Região dos Lagos, em reuniões do seu partido, o PR, mas por onde passava começava uma movimentação dos Policiais Militares, que integravam a luta dos Bombeiros, fazendo carreatas e até queima de fogos, como foi visto em Cabo Frio.

O bombeiro-sargento A. Junior disse que já possui 10 ônibus preparados para uma passeata de domingo, prevista para as 10 da manhã, na Praia de Copacabana. Por onde passava, Garotinho mostrava sua solidariedade aos Bombeiros - tática interessante para quem possui a imagem ferida com boa parte da sociedade.

Chega o dia D, 3 de junho. Milhares de militares-bombeiros, de todos os cantos do estado, invadem o quartel principal, no Centro do Rio de Janeiro. Não apenas os bombeiros, mas alguns entusiastas do movimento, como parentes e familiares. Cabral devolve a investida com ataque maciço do BOPE, as forças especiais criadas para combater os mais perigosos criminosos da sociedade carioca. Isso foi um absurdo, olhando por um viés humanista.

Antes dessa invasão, durante a manhã e momentos antes da caminhada até o quartel, Garotinho discursou para os bombeiros, arrancando aplausos fervorosos de todos os presentes. Desta manifestação, 439 bombeiros foram presos. O governador chamou os manifestantes de vândalos e vagabundos.

Essa discussão todos conhecemos, mas elas se situam apenas na superfície do problema. Toda essa atuação do Garotinho por trás do movimento só tem uma explicação: início de golpe político. A greve é justa e por mim incentivada, não nos moldes acalorados como vem se seguindo, mas os bombeiros precisam prestar atenção e seguir o que foi dito pela deputada Cidinha Campos, no dia 28/04 (vídeo no final do post). Neste discurso, ela propõe a melhor solução e ainda situa no espectro atual a motivação política por trás da manifestação.

Afirmo que, infelizmente, os bombeiros estão sendo usados como uma peça de xadrez para disputas políticas entre dois jogadores grandes e experientes raposas do ramo: Cabral e Garotinho. A sociedade civil organizada precisa sim apoiar a greve, mas ficar de olho atento sobre quem são os atores políticos por trás dessas motivações sociais de busca por melhorias de condição no trabalho e reajuste de salários. Com efeito, para políticos como Garotinho, que apenas está interessado na queda do poder vigente, ajudar a inflar uma manifestação política e provocar uma crise generalizada é algo muito útil e eficiente, porém, as vontades do povo ficam para seu segundo plano. Para Cabral a mesma coisa, ele não deseja apenas o fim da greve, e sim a manutenção do poder.

Com efeito, eu incentivo a continuidade da greve e a participação de outros sindicatos - como o dos professores, dos médicos, dos policiais e de quem mais se interessar e seja ativamente prejudicado pelo Estado. Não deixemos nenhum político com intenções turvas sujar uma manifestação democrática e de direito.

Veja o vídeo da deputada Cidinha Campos, denunciando o esquema de uso político nas manifestações, e minha principal inspiração para esse retrato em forma de texto:



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Eucaristia



Com passos curtos por essa terra sem caminhos,
vou do zero ao infinito sem tempo.

Me espanto com o agora,
por saber que o amanhã
um dia será hoje;
e que algum dia esse mesmo amanhã
não terá mais forças para ser em mim.

Escrevo com o corpo e com o sangue.
A eucaristia do que digo em palavras é estar nu para o mundo.
Mesmo assim, uma névoa obtusa
seguida de uma música opaca
perpassa meu humilde silêncio.

A sensualidade vital das palavras me ofuscam
a atenção para o presente.

Me sinto espelho,
então peço que se reflitas em mim.
E por menor que eu seja
qualquer pedaço de espelho
é o espelho todo.

Quando me olhas como um todo,
esse vazio de mim reflete seu ser
e mesmo que seja só reflexo
eu continuo nu em sinceridade.
Só posso obter sem procurar,
só posso ter sem pedir,
A única coisa que faço, e sem esforço,
é refletir.

Agarro aberta a identidade do mundo
e resisto sem garantias.
Estou prestes a morrer e renascer em novo reflexo;
serei um movimento orgânico trajando um manto
tecido com gelo, sem esquecer esse seu eterno jogo
de palavras.



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